DIA 19
Bar Brahma Aeroclube com OS PAULISTINHAS
Av. Olavo Fontoura, 650 - Santana - São Paulo
Das 13h30 às 17h, no Salão Interno
Couvert: R$ 20,00
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DIA 20
Bar do Chorinho com MIMI E SEU REGIONAL
Rua Ricardo de Lemos - Bairro Silveira - Santo André (paralela à Av. Firestone)
Das 11h às 15h
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DIA 26
Bar Brahma Aeroclube com OS PAULISTINHAS
Av. Olavo Fontoura, 650 - Santana - São Paulo
Das 13h30 às 17h, no Salão Interno
Couvert: R$ 20,00
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DIA 27
Bar do Chorinho com MIMI E SEU REGIONAL
Rua Ricardo de Lemos - Bairro Silveira - Santo André (paralela à Av. Firestone)
Das 11h às 15h
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Festa junina do Miscelânea Cultural com REGIONAL TUPINAMBÁ
Rua Álvaro Ânes, 91 - Pinheiros (perto da FNAC)
A partir das 20h30
Entrada: R$ 8,00 (até às 20h) / R$ 12,00 (após às 20h)
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NOVA COR DO ACORDE
Minhas impressões, minha música, meu mundo
17 de junho de 2010
Desde o Carnaval não atualizo o blog. Absoluta falta de tempo. Desde fevereiro estive envolvido na faculdade, na música, no trabalho novo. Aos poucos estarei aqui com mais frequência. Muito a falar sobre a greve na USP, sobre o Palmeiras (agora vai!!), sobre a Copa (que período maravilhoso!!), algumas coisas sobre música, e muito a falar sobre nada. Como sempre!
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Saudades!
13 de fevereiro de 2010
Mas é carnaval, não me diga mais....
Carnaval! Tempo dos excessos, das folias, das inversões de valores, quando os "de baixo" passam a ser os "de cima".
Pra mim, um período de parada, de descanso, da companhia de um bom livro. Atualmente, não tenho mais tempo pra esse luxo, já que minha ocupação torna-se mais intensa nessa época. Muitas pessoas querem música, e assim cumpro meu papel. Não sem prazer, pelo contrário. Mas sinto falta da minha parada.
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Já que tive essa oportunidade hoje, aproveito pra colocar uma poesia muito marcante que achei num comentário postado no blog de Luís Nassif. Gostaria de dar o crédito, mas não tinha indicação de autor:
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A vida
ávida
em gole
engole
a vida.
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Não poderia ser mais certeira.
Pra mim, um período de parada, de descanso, da companhia de um bom livro. Atualmente, não tenho mais tempo pra esse luxo, já que minha ocupação torna-se mais intensa nessa época. Muitas pessoas querem música, e assim cumpro meu papel. Não sem prazer, pelo contrário. Mas sinto falta da minha parada.
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Já que tive essa oportunidade hoje, aproveito pra colocar uma poesia muito marcante que achei num comentário postado no blog de Luís Nassif. Gostaria de dar o crédito, mas não tinha indicação de autor:
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A vida
ávida
em gole
engole
a vida.
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Não poderia ser mais certeira.
12 de fevereiro de 2010
Agora vai?
E o Arruda foi preso. Ainda há alguma esperança no nosso obscuro e obtuso Poder Judiciário.
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Mas as esperanças param por aí, já que o governador foi preso sob a alegação de supostamente estar "atrapalhando as investigações". Ou seja, não foi preso pelo crime em si, mas por obstrução da justiça. E cabe recurso, habeas corpus. E ele ainda pode renunciar para não perder os direitos políticos. E ainda pode ser senador, aposentar-se com salário vitalício e morrer feliz para sempre...
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10 de fevereiro de 2010
Os militares e a nossa história II
Tenho que voltar a tratar deste assunto depois da notícia que li na Globo.com hoje. Circula na internet uma carta atribuída ao general Maynard Marques de Santa Rosa, chefe do Departamento-Geral de Pessoal do Exército, na qual ele critica o Programa Nacional dos Direitos Humanos (PNDH) - que trata, entre outras coisas, da revisão da Lei da Anistia e dos crimes cometidos durante o regime militar. Coloco, na íntegra, a suposta carta:
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"A COMISSÃO DA “VERDADE”?
A verdade é o apanágio do pensamento, o ideal da filosofia, a base fundamental da ciência. Absoluta, transcende opiniões e consensos, e não admite incertezas.
A busca do conhecimento verdadeiro é o objetivo do método científico. No memorável “Discurso sobre o Método”, René Descartes, pai do racionalismo francês, alertou sobre as ameaças à isenção dos julgamentos, ao afirmar que “a precipitação e a prevenção são os maiores inimigos da verdade”.
A opinião ideológica é antes de tudo dogmática, por vício de origem. Por isso, as mentes ideológicas tendem naturalmente ao fanatismo. Estudando o assunto, o filósofo Friedrich Nietszche concluiu que “as opiniões são mais perigosas para a verdade do que as mentiras”.
Confiar a fanáticos a busca da verdade é o mesmo que entregar o galinheiro aos cuidados da raposa.
A História da inquisição espanhola espelha o perigo do poder concedido a fanáticos. Quando os sicários de Tomás de Torquemada viram-se livres para investigar a vida alheia, a sanha persecutória conseguiu flagelar trinta mil vítimas por ano no reino da Espanha.
A “Comissão da Verdade” de que trata o Decreto de 13 de janeiro de 2010, certamente, será composta dos mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o seqüestro de inocentes e o assalto a bancos, como meio de combate ao regime, para alcançar o poder.
Infensa à isenção necessária ao trato de assunto tão sensível, será uma fonte de desarmonia a revolver e ativar a cinza das paixões que a lei da anistia sepultou.
Portanto, essa excêntrica comissão, incapaz por origem de encontrar a verdade, será, no máximo, uma “Comissão da Calúnia”.
General do Exército Maynard Marques de Santa Rosa"
"A COMISSÃO DA “VERDADE”?
A verdade é o apanágio do pensamento, o ideal da filosofia, a base fundamental da ciência. Absoluta, transcende opiniões e consensos, e não admite incertezas.
A busca do conhecimento verdadeiro é o objetivo do método científico. No memorável “Discurso sobre o Método”, René Descartes, pai do racionalismo francês, alertou sobre as ameaças à isenção dos julgamentos, ao afirmar que “a precipitação e a prevenção são os maiores inimigos da verdade”.
A opinião ideológica é antes de tudo dogmática, por vício de origem. Por isso, as mentes ideológicas tendem naturalmente ao fanatismo. Estudando o assunto, o filósofo Friedrich Nietszche concluiu que “as opiniões são mais perigosas para a verdade do que as mentiras”.
Confiar a fanáticos a busca da verdade é o mesmo que entregar o galinheiro aos cuidados da raposa.
A História da inquisição espanhola espelha o perigo do poder concedido a fanáticos. Quando os sicários de Tomás de Torquemada viram-se livres para investigar a vida alheia, a sanha persecutória conseguiu flagelar trinta mil vítimas por ano no reino da Espanha.
A “Comissão da Verdade” de que trata o Decreto de 13 de janeiro de 2010, certamente, será composta dos mesmos fanáticos que, no passado recente, adotaram o terrorismo, o seqüestro de inocentes e o assalto a bancos, como meio de combate ao regime, para alcançar o poder.
Infensa à isenção necessária ao trato de assunto tão sensível, será uma fonte de desarmonia a revolver e ativar a cinza das paixões que a lei da anistia sepultou.
Portanto, essa excêntrica comissão, incapaz por origem de encontrar a verdade, será, no máximo, uma “Comissão da Calúnia”.
General do Exército Maynard Marques de Santa Rosa"
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De qual verdade estará falando o general, um dos remanescentes e atual porta voz da "linha dura" na ativa? A sua verdade? Seria o mais óbvio, já que, para este que vos escreve, não há uma VERDADE, apenas versão dos fatos. Porém, existem os fatos. É fato que há cerca de 380 desaparecidos políticos no Brasil, que a tortura foi praticada sistematicamente nos porões do regime, e que muitos dos "agentes" da história ainda estão por aí, colocando sua cabeça no travesseiro todas as noites como se o passado estivesse longe. Não deveria estar. Não estará.
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Adendo às 20h19 (fonte: Jornal Nacional): O general foi exonerado pelo presidente Lula por recomendação do Ministro da Defesa, Nelson Jobim. A oposição criticou.
Às vezes eu não entendo, viu!
5 de fevereiro de 2010
Os militares e a nossa história
Meu interesse pelo período em que os militares governaram o Brasil começou desde a época do ensino médio. E era um interesse pelo desconhecido, já que 1964-85 não aparecia nas apostilas. Por quê?? Era essa a resposta que eu procurava.
...
Após cinco anos e pouco (!) de graduação, surgiram muitas outras perguntas, a maioria delas sem resposta. Todavia, uma que ainda me encuca é: por que, numa universidade que se diz pioneira, ainda não há uma única matéria exclusiva que pense exaustivamente sobre o período. O regime militar é tratado em matérias como História do Brasil Independente II, História Contemporânea II, ou usado como pano de fundo ao tratar do cinema, do cotidiano, etc, etc, mas não numa matéria específica - HISTÓRIA DO REGIME MILITAR, HISTÓRIA DO BRASIL SOB OS MILITARES. Algo sem pré-julgamentos, pré-conceitos, mas mostrando porque homens, num determinado período, governaram o país embasados em "verdades", usando artifícios dignos de filmes de Hollywood (aqui já há um pré-julgamento meu, mas fazer o quê?!)
...
Acredito, sim, que as perguntas não serão respondidas enquanto a história estiver escondida sob o tapete. Um diagnóstico preciso eu li no Estadão de 30 de janeiro de 2009, num artigo de Marcelo Rubens Paiva.
...
...
Caros generais, almirantes e brigadeiros
Por MARCELO RUBENS PAIVA
Eu ia dizer "caros milicos". Não sei se é um termo ofensivo. Estigmatizado é. Preciso enumerar as razões?
Parte da sociedade civil quer rever a Lei da Anistia. Sugeriram a Comissão da Verdade, no desastroso Programa Nacional de Direitos Humanos, que Lula assinou sem ler. Vocês ameaçaram abandonar o governo, caso fosse aprovado.
Na Argentina, Espanha, Portugal, Chile, a anistia a militares envolvidos em crimes contra a humanidade foi revista. Há interesse para uma democracia em purificar o passado.
Aqui, teimam em não abrir mão do perdão. E têm aliados fortes, como o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que apesar de civil apareceu num patético uniforme de combate na volta do Haiti. Parecia um clown.
Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura. Devem ter navegado na contracultura, dançado Raul Seixas, tropicalistas. Usaram cabelos compridos, jeans desbotados? Namoraram ouvindo bossa nova? Assistiram aos filmes do Cinema Novo?
Sabemos que quem mais sofreu repressão depois do Golpe de 64 foram justamente os militares. Muitos foram presos e cassados. Havia até uma organização guerrilheira, a VPR, composta só por militares contra o regime.
Por que abrigar torturadores? Por que não colocá-los num banco de réus, um Tribunal de Nuremberg? Por que não limpar a fama da corporação?
Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti.
Sei que nossa relação, que começou quando eu tinha 5 anos, foi contaminada por abusos e absurdos. Culpa da polarização ideológica da época.
Seus antecessores cassaram o meu pai, deputado federal de 34 anos, no Golpe de 64, logo no primeiro Ato Institucional. Pois ele era relator de uma CPI que investigava o dinheiro da CIA para a preparação do golpe, interrogou militares, mostrou cheques depositados em contas para financiar a campanha anticomunista. Sabiam que meu pai nem era comunista?
Ele tentou fugir de Brasília, quando cercaram a cidade. Entrou num teco-teco, decolou, mas ameaçaram derrubar o avião. Ele pousou, saltou do avião ainda em movimento e correu pelo cerrado, sob balas.
Pulou o muro da embaixada da Iugoslávia e lá ficou, meses, até receber o salvo-conduto e se exilar. Passei meu aniversário de 5 anos nessa embaixada. Festão. Achávamos que a ditadura não ia durar. Que ironia...
Da Europa, meu pai enviou uma emocionante carta aos filhos, explicando o que tinha acontecido. Chamava alguns de vocês de "gorilas". Ri muito quando a recebi.
Ainda era 1964, a família imaginava que fosse preciso partir para o exílio e se juntar na França, quando ele entrou clandestinamente no Brasil.
Num voo para o Uruguai, que fazia escala no Rio, pediu para comprar cigarros e cruzou portas, até cair na rua, pegar um táxi e aparecer de surpresa em casa. Naquela época, o controle de passageiros era amador.
Mas veio a luta armada, os primeiros sequestros, e atuavam justamente os filhos dos amigos e seus eleitores - ele foi eleito deputado em 1962 pelos estudantes.
A barra pesou com o AI-5, a repressão caiu matando, e muitos vinham pedir abrigo, grana para fugir. Ele conhecia rotas de fuga. Tinha um aviãozinho. Fernando Gasparian, o melhor amigo dele, sabia que ambos estavam sendo seguidos e fugiu para a Inglaterra. Alertou o meu pai, que continuou no País.
Em 20 de janeiro de 1971, feriado, deu praia. Alguns de vocês invadiram a nossa casa de manhã, apontaram metralhadoras. Depois, se acalmaram. Ficamos com eles 24 horas. Até jogamos baralho. Não pareciam assustadores. Não tive medo. Eram tensos, mas brasileiros normais.
Levaram o meu pai, minha mãe e minha irmã Eliana, de 14 anos. Ele foi torturado e morto na dependência de vocês. A minha mãe ficou presa por 13 dias, e minha irmã, um dia.
Sumiram com o corpo dele, inventaram uma farsa (a de que ele tinha fugido) e não se falou mais no assunto.
Quando, aos 17 anos, fui me alistar na sede do 2º Exército, vivi a humilhação de todos os moleques: nos obrigaram a ficar nus e a correr pelo campo. Era inverno.
Na ficha, eu deveria preencher se o pai era vivo ou morto. Na época, varão de família era dispensado. Não havia espaço para "desaparecido". Deixei em branco.
Levei uma dura do oficial. Não resisti: "Vocês devem saber melhor do que eu se está vivo." Silêncio na sala. Foram consultar um superior. Voltaram sem graça, carimbaram a minha ficha, "dispensado", e saí de lá com a alma lavada.
Então, só em 1996, depois de um decreto-lei do Fernando Henrique, amigo de pôquer do meu pai, o Governo Brasileiro assumiu a responsabilidade sobre os desaparecidos e nos entregou um atestado de óbito.
Até hoje não sabemos o que aconteceu, onde o enterraram e por quê? Meu pai era contra a luta armada. Sabemos que antes de começarem a sessão de tortura, o brigadeiro Burnier lhe disse: "Enfim, deputadozinho, vamos tirar nossas diferenças."
Isso tudo já faz quase 40 anos. A Lei da Anistia, aprovada ainda durante a ditadura, com um Congresso engessado pelo Pacote de Abril, senadores biônicos, não eleitos pelo povo, garante o perdão aos colegas de vocês que participaram da tortura.
Qual o sentido de ter torturadores entre seus pares? Livrem-se deles. Coragem.
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Após cinco anos e pouco (!) de graduação, surgiram muitas outras perguntas, a maioria delas sem resposta. Todavia, uma que ainda me encuca é: por que, numa universidade que se diz pioneira, ainda não há uma única matéria exclusiva que pense exaustivamente sobre o período. O regime militar é tratado em matérias como História do Brasil Independente II, História Contemporânea II, ou usado como pano de fundo ao tratar do cinema, do cotidiano, etc, etc, mas não numa matéria específica - HISTÓRIA DO REGIME MILITAR, HISTÓRIA DO BRASIL SOB OS MILITARES. Algo sem pré-julgamentos, pré-conceitos, mas mostrando porque homens, num determinado período, governaram o país embasados em "verdades", usando artifícios dignos de filmes de Hollywood (aqui já há um pré-julgamento meu, mas fazer o quê?!)
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Acredito, sim, que as perguntas não serão respondidas enquanto a história estiver escondida sob o tapete. Um diagnóstico preciso eu li no Estadão de 30 de janeiro de 2009, num artigo de Marcelo Rubens Paiva.
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Caros generais, almirantes e brigadeiros
Por MARCELO RUBENS PAIVA
Eu ia dizer "caros milicos". Não sei se é um termo ofensivo. Estigmatizado é. Preciso enumerar as razões?
Parte da sociedade civil quer rever a Lei da Anistia. Sugeriram a Comissão da Verdade, no desastroso Programa Nacional de Direitos Humanos, que Lula assinou sem ler. Vocês ameaçaram abandonar o governo, caso fosse aprovado.
Na Argentina, Espanha, Portugal, Chile, a anistia a militares envolvidos em crimes contra a humanidade foi revista. Há interesse para uma democracia em purificar o passado.
Aqui, teimam em não abrir mão do perdão. E têm aliados fortes, como o presidente do Supremo, Gilmar Mendes, e o ministro da Defesa, Nelson Jobim, que apesar de civil apareceu num patético uniforme de combate na volta do Haiti. Parecia um clown.
Vocês pertencem a uma nova geração de generais, almirantes, tenentes-brigadeiros. Eram jovens durante a ditadura. Devem ter navegado na contracultura, dançado Raul Seixas, tropicalistas. Usaram cabelos compridos, jeans desbotados? Namoraram ouvindo bossa nova? Assistiram aos filmes do Cinema Novo?
Sabemos que quem mais sofreu repressão depois do Golpe de 64 foram justamente os militares. Muitos foram presos e cassados. Havia até uma organização guerrilheira, a VPR, composta só por militares contra o regime.
Por que abrigar torturadores? Por que não colocá-los num banco de réus, um Tribunal de Nuremberg? Por que não limpar a fama da corporação?
Não se comparem a eles. Não devem nada a eles, que sujaram o nome das Forças Armadas. Vocês devem seguir uma tradição que nos honra, garantiu a República, o fim da ditadura de Getúlio, depois de combater os nazistas, e que hoje lidera a campanha no Haiti.
Sei que nossa relação, que começou quando eu tinha 5 anos, foi contaminada por abusos e absurdos. Culpa da polarização ideológica da época.
Seus antecessores cassaram o meu pai, deputado federal de 34 anos, no Golpe de 64, logo no primeiro Ato Institucional. Pois ele era relator de uma CPI que investigava o dinheiro da CIA para a preparação do golpe, interrogou militares, mostrou cheques depositados em contas para financiar a campanha anticomunista. Sabiam que meu pai nem era comunista?
Ele tentou fugir de Brasília, quando cercaram a cidade. Entrou num teco-teco, decolou, mas ameaçaram derrubar o avião. Ele pousou, saltou do avião ainda em movimento e correu pelo cerrado, sob balas.
Pulou o muro da embaixada da Iugoslávia e lá ficou, meses, até receber o salvo-conduto e se exilar. Passei meu aniversário de 5 anos nessa embaixada. Festão. Achávamos que a ditadura não ia durar. Que ironia...
Da Europa, meu pai enviou uma emocionante carta aos filhos, explicando o que tinha acontecido. Chamava alguns de vocês de "gorilas". Ri muito quando a recebi.
Ainda era 1964, a família imaginava que fosse preciso partir para o exílio e se juntar na França, quando ele entrou clandestinamente no Brasil.
Num voo para o Uruguai, que fazia escala no Rio, pediu para comprar cigarros e cruzou portas, até cair na rua, pegar um táxi e aparecer de surpresa em casa. Naquela época, o controle de passageiros era amador.
Mas veio a luta armada, os primeiros sequestros, e atuavam justamente os filhos dos amigos e seus eleitores - ele foi eleito deputado em 1962 pelos estudantes.
A barra pesou com o AI-5, a repressão caiu matando, e muitos vinham pedir abrigo, grana para fugir. Ele conhecia rotas de fuga. Tinha um aviãozinho. Fernando Gasparian, o melhor amigo dele, sabia que ambos estavam sendo seguidos e fugiu para a Inglaterra. Alertou o meu pai, que continuou no País.
Em 20 de janeiro de 1971, feriado, deu praia. Alguns de vocês invadiram a nossa casa de manhã, apontaram metralhadoras. Depois, se acalmaram. Ficamos com eles 24 horas. Até jogamos baralho. Não pareciam assustadores. Não tive medo. Eram tensos, mas brasileiros normais.
Levaram o meu pai, minha mãe e minha irmã Eliana, de 14 anos. Ele foi torturado e morto na dependência de vocês. A minha mãe ficou presa por 13 dias, e minha irmã, um dia.
Sumiram com o corpo dele, inventaram uma farsa (a de que ele tinha fugido) e não se falou mais no assunto.
Quando, aos 17 anos, fui me alistar na sede do 2º Exército, vivi a humilhação de todos os moleques: nos obrigaram a ficar nus e a correr pelo campo. Era inverno.
Na ficha, eu deveria preencher se o pai era vivo ou morto. Na época, varão de família era dispensado. Não havia espaço para "desaparecido". Deixei em branco.
Levei uma dura do oficial. Não resisti: "Vocês devem saber melhor do que eu se está vivo." Silêncio na sala. Foram consultar um superior. Voltaram sem graça, carimbaram a minha ficha, "dispensado", e saí de lá com a alma lavada.
Então, só em 1996, depois de um decreto-lei do Fernando Henrique, amigo de pôquer do meu pai, o Governo Brasileiro assumiu a responsabilidade sobre os desaparecidos e nos entregou um atestado de óbito.
Até hoje não sabemos o que aconteceu, onde o enterraram e por quê? Meu pai era contra a luta armada. Sabemos que antes de começarem a sessão de tortura, o brigadeiro Burnier lhe disse: "Enfim, deputadozinho, vamos tirar nossas diferenças."
Isso tudo já faz quase 40 anos. A Lei da Anistia, aprovada ainda durante a ditadura, com um Congresso engessado pelo Pacote de Abril, senadores biônicos, não eleitos pelo povo, garante o perdão aos colegas de vocês que participaram da tortura.
Qual o sentido de ter torturadores entre seus pares? Livrem-se deles. Coragem.
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É por essas e por outras, na história escrita por quem viveu, que acho a não-verdade uma vergonha, um abuso, um retrocesso.

2 de fevereiro de 2010
Estamos aí!
Depois de quase dois meses de férias, estou de volta na atualização do blog. Após uma temporada comendo queijo e outra cuidando de doentes, o novo ano abre-se como um belo livro em branco, esperando para que eu o escreva.
Vou colocar aqui, pra começar o ano, um poema de Fernando Pessoa que carrego comigo desde os tempos do vestibular, quando escolhi pela História, no qual Álvaro de Campos é extremamente confessional, procurando caminhos. Que assim seja 2010!
Pecado Original
Álvaro de Campos
"Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Será essa, se alguém a escrever,
A verdadeira história da humanidade.
O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo;
O que não há somos nós, e a verdade está aí.
Sou quem falhei ser.
Somos todos quem nos supusemos.
A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.
Que é daquela nossa verdade - o sonho à janela da infância?
Que é daquela nossa certeza - o propósito a mesa de depois?
Medito, a cabeça curvada contra as mãos sobrepostas
Sobre o parapeito alto da janela de sacada,
Sentado de lado numa cadeira, depois de jantar.
Que é da minha realidade, que só tenho a vida?
Que é de mim, que sou só quem existo?
Quantos Césares fui!
Na alma, e com alguma verdade;
Na imaginação, e com alguma justiça;
Na inteligência, e com alguma razão -
Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!"
PS.: Coloquei uma playlist mais zen, com coisas que eu adoro do new age. Vamos acalmar, povo!
Vou colocar aqui, pra começar o ano, um poema de Fernando Pessoa que carrego comigo desde os tempos do vestibular, quando escolhi pela História, no qual Álvaro de Campos é extremamente confessional, procurando caminhos. Que assim seja 2010!
Pecado Original
Álvaro de Campos
"Ah, quem escreverá a história do que poderia ter sido?
Será essa, se alguém a escrever,
A verdadeira história da humanidade.
O que há é só o mundo verdadeiro, não é nós, só o mundo;
O que não há somos nós, e a verdade está aí.
Sou quem falhei ser.
Somos todos quem nos supusemos.
A nossa realidade é o que não conseguimos nunca.
Que é daquela nossa verdade - o sonho à janela da infância?
Que é daquela nossa certeza - o propósito a mesa de depois?
Medito, a cabeça curvada contra as mãos sobrepostas
Sobre o parapeito alto da janela de sacada,
Sentado de lado numa cadeira, depois de jantar.
Que é da minha realidade, que só tenho a vida?
Que é de mim, que sou só quem existo?
Quantos Césares fui!
Na alma, e com alguma verdade;
Na imaginação, e com alguma justiça;
Na inteligência, e com alguma razão -
Meu Deus! Meu Deus! Meu Deus!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!
Quantos Césares fui!"
PS.: Coloquei uma playlist mais zen, com coisas que eu adoro do new age. Vamos acalmar, povo!
3 de dezembro de 2009
Eu sou o samba!
Em homenagem ao Dia Nacional do Samba, 02 de dezembro, coloquei uma playlist com sambas que eu gosto muito.
Viva o ritmo brasileiro!

"Uma música que seja
. . . . . .Vinicius de Moraes
.
... como os mais belos harmônicos da natureza. Uma música que seja como o som do vento na cordoalha dos navios, aumentando gradativamente de tom até atingir aquele em que se cria uma reta ascendente para o infinito. Uma música que comece sem começo e termine sem fim. Uma música que seja como o som do vento numa enorme harpa plantada no deserto. Uma música que seja como a nota lancinante deixada no ar por um pássaro que morre. Uma música que seja como o som dos altos ramos das grandes árvores vergastadas pelos temporais. Uma música que seja como o ponto de reunião de muitas vozes em busca de uma harmonia nova. Uma música que seja como o vôo de uma gaivota numa aurora de novos sons..."
20 de novembro de 2009
Importar-se
Acredito que os momentos de emoção podem, sim, construir conhecimento. Ou pelo menos acendem aquela luz interior responsável por clarear a mente. Hoje assisti a um filme americano de 2003, do diretor Michael Tollin, chamado Meu nome é Rádio (deixo link para o trailer em inglês). Apesar do nome pouco convidativo, eu estava na modorra, nem dormindo nem acordado, por isso fiquei no filme. E tive uma grata surpresa. O filme teve origem quando um artigo da revista Sports Ilustrated chamou a atenção do diretor: um jovem com problemas mentais acompanhava, nos anos 70, um time de futebol americano nos jogos e nos treinamentos, a tal ponto que se converteu numa popularidade. A história agradou tanto a Tollin que ele decidiu levá-la à tela. O núcleo da história é a amizade, durante décadas, entre tal jovem (apelidado de Rádio por sua coleção de aparelhos) e Harold Jones, o respeitado treinador do time de futebol....
Sem perder de vista que é uma produção hollywoodiana (com todos os seus paradigmas) e ter algumas críticas razoáveis, o filme ficou representado, para mim, na frase dita pela esposa do treinador: "Nunca é demais se importar com o outro". Fui tomado por um forte momento de emoção e minha luz interior se acendeu com tal mote, que me fez pensar em até que ponto nos importamos com o outro.
...
Há cerca de duas semanas assisti a uma aula com a professora Valquíria Prates na USP. Entre outras coisas, ela expôs uma experiência vivida com deficientes visuais, com os quais ela trabalhara. Na ocasião, Valquíria desenvolvera um trabalho no MASP pensando formas de apresentar as obras de arte (mais especificamente pinturas) para esse público, na perspectiva deles e de forma que compreendessem o que lhes era apresentado. Fora um trabalho magistral, no qual a professora teve de penetrar no mundo das pessoas com pouca - ou nenhuma - visão, pensando formas de atingi-los e integrá-los ao nosso mundo "normal". Pensar o outro, sendo esse outro portador de alguma deficiência ou não, deveria ser tão habitual quanto respirar ou comer. Mas não apenas pensar, mas se importar, de maneira desenvolta e não esperando nada em troca. Para pessoas com deficiência, devemos entrar em seu mundo (como fez a professora Valquíria), e não tentar trazê-las para o nosso.
...
E eu mesmo incorro, aqui, num equívoco. Não se deve pensar que há um mundo "nosso" e um mundo "deles". Há apenas perspectivas diferentes de percepção do mundo, cada qual com suas características, nem melhor nem pior. Às vezes apenas um olhar já demonstra o quando nos importamos. Deveria ser tão normal quanto respirar.
.
.

Aproveito para deixar minha homenagem aos irmãos negros. Somos todos iguais, da espécie humana.
17 de novembro de 2009
Feliz Aniversário!
Sentado no banco da universidade sob aquela árvore, ele sentia como se a vida houvesse passado tão rápido quanto o simples bom dia que recebia de alguns alunos que iam e vinham. Ele estivera na mesma posição que eles há alguns anos atrás (quantos anos seriam?), com o mesmo ímpeto por conhecer a vida e igual medo do futuro desconhecido. Os tempos eram outros, o país havia se redemocratizado, a internet era o pão de cada dia. As coisas eram caras e ele achava o mundo extremamente desigual, pois poucos tinham muito, quando, em sua opinião, o certo seria muitos terem muito - inclusive ele.
...
Ele era jovem, não tão inteligente. E por um tempo acreditou que a escolha por aquele curso universitário de nada serviria. Seria professor? Pesquisador? Músico? Um à toa? Sonhava em ser um intelectual, alguém reconhecido pelo que pensava e dizia. Mas, naquele momento, se sentia um completo idiota que trabalhava com tudo e não sabia fazer nada direito. Vivia sem dinheiro, e cortava um dobrado tomando três conduções pra faculdade. Mal sabia ele que aqueles anos seriam os melhores da sua vida - descobriria muitos tempo depois que naquele tempo era feliz.
...
Ele era jovem, não tão bonito. Mas foi naquele momento que encontrou aquela que iria sustentar seus sonhos pelo resto da vida. Viviam longe um do outro, falavam-se pouco (as tarifas telefônicas ainda eram pouco atraentes) mas o amor era grande. Foi ela que lhe disse: "calma, cada coisa a seu tempo, você ainda é um estudante, o futuro será melhor". Ela era - e sempre seria - sua fortaleza, seu porto, sua mulher.
...
E, como acordando de um sonho que se vai ao longe, ele sentiu a presença dela a seu lado. "Parabéns, meu xuxu! Feliz aniversário!". Ele estava ali, velho no corpo, procurando as mesmas respostas que ainda não havia encontrado. Ou as havia encontrado parcialmente, sempre preferindo ser uma metamorfose ambulante (como nos versos de Raul, que ninguém mais conhecia), prezando mais a dúvida que a certeza.
...
.
______
Agradeço a todos pelas orações e pelo carinho de mais um ano. Muito Obrigado!
11 de novembro de 2009
Meus queridos, meus velhos

Aos meus, que nesse mês são mais.
Enterrem meu coração sonhador
No alto da montanha da solidão!
Perto das águias e dos ventos fortes,
Perto dos espíritos altaneiros,
Longe de certas alimárias da Terra,
Longe dos que não acham
Uma razão para sonhar e amar!
Enterrem meu coração sonhador
No alto da montanha da solidão!
Perto dos deuses,
Dos deuses antigos e esquecidos,
Daqueles deuses que eu amo sempre!
Perto do sol, perto das estranhas estrelas,
Das estrelas que um dia sonhei roubar!
Sonhador da morte, Órion, caçador condenado!
No vitupério pérfido dos poderes mórbidos do mundo
Ruflo minhas asas, Ícaro da solidão das sombras!
Enterrem meu coração sonhador
No alto da montanha da solidão!
Rogério Farias
7 de novembro de 2009
Mais que um dia normal
Não era mais que um dia normal. Com fazia há muitos anos - mais do que se lembrava - ele entrava naquela igreja para fazer o que mais gostava: cantar. Era uma paixão recolhida que começou mais por pressão que por prazer, mas o som da sua própria voz o enchia de alegria, fazendo com que o mundo se curvasse diante de sua voz. E por mais um Natal ele estaria lá dentro, fazendo-se pequeno diante de tamanha grandiosidade.
Por ser um dia normal, ele se preparava para algo de maneira automático. Escolha das músicas, ensaio, apresentação, ceia, cama. Naquela tarde, seria o ensaio. Saiu de casa e foi de carro para a porta da igreja esperar os amigos de coral para dar os últimos ajustes no repertório da noite. E foi ali que ela surgiu. Não como uma aparição estonteante de uma cena de filme - com os cabelos esvoaçantes e olhar lânguido - mas da maneira mais canhestra que poderia acontecer. Voltando para pegar um livro de partituras que havia esquecido no carro, ele topou com ela. Topou mesmo, um baque que quase joga os dois no chão.
- Oi, me desculpa! Tudo bem? Desculpa de novo! - a voz dela saiu como um atropelo de palavras, umas querendo sair primeiro que as outras.
- Não foi nada - disse ele - eu é que não olho por onde ando (Que cabelo mais lindo! De onde saiu essa mulher?)
Nunca a havia encontrado por ali, e tinha certeza de nunca ter cruzado com ela na cidade (ele se lembraria). Com o mesmo ímpeto das respostas, cada um seguiu seu caminho, ele para fora e ela pra dentro da igreja. Ao entrar novamente, ele notou que ela conversava com um amigo seu. Apresentações, amenidades, cumprimentos. É quando ela pega em sua nuca para lhe beijar o rosto - e o mundo para. Nada mais importa, o céu conspira para que aquele momento se eternize. Assim ela apareceu na vida dele, segurando em sua nuca e mostrando que ali seria diferente, com eles seria diferente. Foram um do outro dali em diante.
Não era mais que um dia normal. Mas naquele dia aconteceram as mais anormais das normalidades - acharam-se, sentiram-se, optaram-se. E aquilo que chamam "amor" surgiu.
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São os melhores nove meses da minha vida. Por sua causa, eu não preciso mais aprender a ser só.
Te amo!!
6 de novembro de 2009
O jogão contra o Fluminense
O confronto com o Fluminense, domingo, é divisor de águas para o Palmeiras. Com o empate do São Paulo na quarta contra o Grêmio por 1x1 (que os sãopaulinos chamam de "heróico", "histórico" e demais antífrases oportunas), o tricolor paulista assume a liderança com a diferença de um ponto para o Palestra. Já o Fluminense, apesar de estar na zona do rebaixamento no Brasileiro, vem de uma vítória - essa sim - heróica e muitíssimo comemorada contra o Universidad do Chile pela Copa Sul-Americana. Com o resultado, o time carioca passou à semifinal da competição.
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Ou seja, tem tudo para o Palmeiras perder. Numa entrevista, hoje, ao globoesporte.com, Diego Souza admite que sua má fase afeta o time: "Naquela sequência de quatro jogos sem vencer, acho que o time inteiro teve uma queda natural. Sei que as pessoas vão cobrar mais de mim, mas a responsabilidade é de todo o grupo. Tanto é que colocamos na cabeça que precisávamos voltar a jogar bem e fizemos isso no jogo contra o Goiás. A marcação aumentou muito em cima de mim, em especial depois da saída do Cleiton Xavier. Nós éramos os armadores do time e dividíamos algumas funções. Mas isso não serve de desculpa e sei que foi apenas um momento ruim". Isso sem contar com a pressão de 70 mil torcedores do Flu que estarão domingo no Maracanã.
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Mesmo assim, confio no Palmeiras. Sempre defendi que o time atua melhor fora de casa que sob seus domínios, e esse jogo tem a cara daqueles que o Verdão vence - no sufoco, mas vence. Vencendo, o Palmeiras joga a pressão para São Paulo e Atlético Mineiro, que terão jogos duros nas próximas semanas. Veremos!
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JOGOS HISTÓRICOS DO PALMEIRAS
Palmeiras 2 x 0 Cruzeiro
Final da Copa do Brasil de 1998
O Palmeiras conquistava sua primeira Copa do Brasil sob o comando de Felipão, que levaria o Palmeiras para a Libertadores do ano seguinte.
31 de outubro de 2009
Sendo Caçulinha
Eu o considero um dos melhores acordeonistas para regional. É, sem dúvida, em seu estilo de tocar que me espelho. Apesar de afastado da mídia e de conhecê-lo apenas das aparições canhestras no programa do Faustão, Caçulinha foi o Rildo Hora dos anos 60 e 70.
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Caçulinha é filho de Mariano Silva, que nos anos 30 fazia dupla caipira com seu irmão Caçula. Daí o nome de Caçulinha, em homenagem a seu tio. Eram de Piracicaba, e ficaram famosos cantando “Saudades de Piracicaba”. Depois que a dupla se desfez, Mariano veio para São Paulo para trabalhar. Casou-se com dona Maria e teve dois filhos, Rubens (Caçulinha) e Wanda. Mariano trabalhou muitos anos na Manteiga Aviação para educar os filhos. Já Caçulinha dedicou-se ao estudo do acordeon no Conservatório Musical de Cecília Meirelles. Formou na época o Conjunto Bandeirantes, com Caçulinha no acordeon, Mariano no vilolão (que tocava muito bem) e Wanda na percussão. Após o fim do conjunto, Caçulinha formou um grupo que acompanhava, na TV, Luiz Gonzaga - todos vestidos de cangaceiro. Com o fim do programa, Caçulinha aproveitou os músicos (Xixa no bandolim e Catamilho no tambor) e formou o Regional do Caçulinha, trabalhando nos programas Fino da Bossa (com Elis Regina) e Bossaudade (com Elizete Cardoso) na TV Record.
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Seu estilo de tocar lembra muito o de Orlando Silveira (do Regional do Canhoto), com acentuação nos acordes e na harmonização para os cantores, além, é claro, da grande virtuosidade tanto no teclado quanto nos baixos. É, com certeza, o estilo que quero alcançar um dia. A Caçulinha, meu respeito e admiração.
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Abaixo alguns vídeos de Caçulinha e seu Regional (reparem como ele preenche a música quando está acompanhando os cantores)
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Caçulinha é filho de Mariano Silva, que nos anos 30 fazia dupla caipira com seu irmão Caçula. Daí o nome de Caçulinha, em homenagem a seu tio. Eram de Piracicaba, e ficaram famosos cantando “Saudades de Piracicaba”. Depois que a dupla se desfez, Mariano veio para São Paulo para trabalhar. Casou-se com dona Maria e teve dois filhos, Rubens (Caçulinha) e Wanda. Mariano trabalhou muitos anos na Manteiga Aviação para educar os filhos. Já Caçulinha dedicou-se ao estudo do acordeon no Conservatório Musical de Cecília Meirelles. Formou na época o Conjunto Bandeirantes, com Caçulinha no acordeon, Mariano no vilolão (que tocava muito bem) e Wanda na percussão. Após o fim do conjunto, Caçulinha formou um grupo que acompanhava, na TV, Luiz Gonzaga - todos vestidos de cangaceiro. Com o fim do programa, Caçulinha aproveitou os músicos (Xixa no bandolim e Catamilho no tambor) e formou o Regional do Caçulinha, trabalhando nos programas Fino da Bossa (com Elis Regina) e Bossaudade (com Elizete Cardoso) na TV Record.
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Seu estilo de tocar lembra muito o de Orlando Silveira (do Regional do Canhoto), com acentuação nos acordes e na harmonização para os cantores, além, é claro, da grande virtuosidade tanto no teclado quanto nos baixos. É, com certeza, o estilo que quero alcançar um dia. A Caçulinha, meu respeito e admiração.
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Abaixo alguns vídeos de Caçulinha e seu Regional (reparem como ele preenche a música quando está acompanhando os cantores)
Acompanhando Ataulfo Alves em 1967
Com Wanderléa no Clube dos Artistas, em 1981
Em 1966, na TV Record, acompanhando Donga e Chico Buarque (notem, atrás, Pixinguinha, Cyro Monteiro e Hebe Camargo)
Em 2009, no programa Sr. Brasil, com Rolando Boldrim (TV Cultura)
30 de outubro de 2009
A minissaia e os excessos
Na globo.com: Uma estudante provocou alvoroço em uma universidade de São Bernardo do Campo, no ABC, há uma semana. De acordo com a Polícia Militar, a jovem foi à faculdade “em trajes inapropriados” e foi xingada por outros alunos. O caso ocorreu na Uniban, no dia 22, e vídeos com imagens do tumulto foram publicados no site YouTube. [...] Os vídeos colocados na internet mostram a confusão criada quando a Polícia Militar foi chamada para conter os rapazes e moças que xingavam a estudante. As imagens, feitas de telefones celulares, mostram quando a jovem deixou a Uniban vestindo um jaleco branco, acompanhada dos policiais sob gritos, assobios e xingamentos. ...
Eu assisti a um desses vídeos hoje e aparece em alto e bom som o xingamento dos estudantes para com a moça, em referência à mais antiga das profissões. Também li reportagens em outros sites e venho tentando formar a opinião mais isenta possível da situação.
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Primeiro, devemos ter em vista os exageros da imprensa ao divulgar o fato, com exploração profunda da situação. Já falaram com a família dela, amigas, até em seu chefe chegaram (e ele garantiu que seu emprego está garantido...). Até no programa do Geraldo Luís (Record) a moça esteve, com direito a musica de filme de terror ao fundo. Tenho cá minhas dúvidas também quanto à espontaneidade das manifestações contrárias aos trajes da dita cuja. As imagens mostram os alunos em completo estado de barbárie, subindo em cadeiras e transformando o fato num grande espetáculo, tudo parecendo muito bem orquestrado. Com esses "senãos" em mente, considero o fato lamentável. A moça pode ser o que quiser, andar do jeito que quiser, desde que não fira as normas da universidade em questão. Porém, mesmo que as transgredisse, deveria ser tratada com o mínimo de corteria e respeito. Sem restrições aparentes, ela poderia vestir a roupa que bem entendesse. Imagino se os tais alunos reacionários fossem a uma aula no departamento de História da USP. Sairiam de lá direto para o analista. Ou para o confessionário de alguma igreja.
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A juventude brasileira - e principalmente a juventude elitista brasileira - demonstra, algumas vezes, posturas que não condizem com seu característico espírito transgressor, violador, quentionador. São comuns à juventude os excessos, mas excessos contra o outro, não contra os seus. É o grande problema da contemporaneidade: é difícil delimitar os inimigos quando a perspectiva da guerra não se avizinha. Os tempos são de paz. Será?
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Palmeiras na briga
E finalmente o Palmeiras voltou a vencer no Palestra. Não foi tão suada como eu esperava. Achei que ficaria num magro 1x0, mas o domínio do Palmeiras, principalmente no segundo tempo, lembrou-me o tempo em que eu acreditava que o campeonato vinha fácil. Agora estou mais precavido.
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Estranho mesmo é o Obina fazer 3 gols e dar um passe de craque para Deyvid Sacconi fazer o dele (aliás, o garoto joga muito e merece pelo menos um pouco mais de regularidade no time). Nunca acreditei que o atacante fosse sequer parecido fisicamente com o Eto'o, muito menos em estilo de jogo ou habilidade. Hoje me pareceu mais aqueles momentos de "quem faz um faz cinco" do que propriamente méritos técnicos de Obina. Tomara que esse clima permaneça pelo menos por mais seis jogos. E que venha o Corinthians domingo!
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Sempre que falar do querido Verdão vou tentar trazer o relato de um jogo histórico. E, se possível, com vídeo. E pra começar, não podia ser de outra maneira:
JOGOS HISTÓRICOS DO PALMEIRAS
Palmeiras 4 x 0 Corinthians
Final do Campeonato Paulista de 1993
Uma das partidas mais importantes para a história do Palestra-Palmeiras. Esse jogo pode representar diversas sensações nos torcedores palmeirenses - representou o fim de um jejum de 16 anos sem títulos e foi uma vitória sobre o maior rival e ainda por cima de goleada. Nessa época também se dá o nascimento de vários ídolos do Palmeiras na década de 90, como Zinho, Evair e Edmundo.
X Congresso de História do ABC
Hoje me inscrevi para o 10º Congresso de História do ABC, que será realizado em São Caetano entre os dias 03 e 06 de novembro. Esse encontro ocorre desde 1990, não de maneira tão periódica quanto seria o desejável, mas mesmo assim é a única iniciativa de peso para pensar a memória da região do ABC.
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Engraçado como, desde que entrei na USP, pouco me interessei sobre a história do ABC. Meus interesses no campo histórico passaram por mudanças nos últimos 5 anos, indo desde a distribuição de terras na Paraíba até às músicas de protesto compostas no período do regime militar. No começo desse ano, estagiei no Museu Barão de Mauá e comecei a perceber a região, que aglutina mais de dois milhões de habitantes, de maneira diferente. Enquanto estive no museu fui colocado frente aos problemas enfrentados pelo campo da memória numa região onde as fontes são pouco estudadas e não há tradição historiográfica de peso. Como pensar o ABC enquanto região produtora de bens e cultura? Qual o papel da história da região na formação cultural paulista e brasileira? Eram perguntas, para mim, até bem pouco tempo nebulosas.
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Já me sinto mais à vontade pisando neste terreno. Li algumas obras de pensadores locais e outras tantas que faziam referência à nossa região, e vejo com bons olhos esforços como o Congresso de História para recuperar a memória do ABC, e mais precisamente de Mauá, cidade onde moro. Enquanto a poeira do passado não for sacudida, esse mesmo passado não se mostra a nós e não há espaço para a produção de ideias. Ideias que colocarei em prática.
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Para quem quiser informações sobre o X Congresso, é só acessar http://www.fpm.org.br/
29 de outubro de 2009
Encastelamento na burocracia
A capa da revista da Associação dos Docentes da USP (Adusp) deste mês representa bem o grande problema da Universidade pública para os alunos que desejam (mais que tudo!) concluir sua graduação: a burocracia, ou burrocracia, que emperra a vida dos estudantes pré-formados por simples vicissitudes do sistema.
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Completo, em dezembro próximo, cinco anos da minha graduação em História. Foram cinco anos de ótima formação acadêmica, necessários para a formação ampla do profissional e condizentes com a tradição da USP em capacitar seu aluno para produzir conhecimento. Porém, até o momento, preciso de seis créditos para concluir meu bacharelado (na USP, o aluno conclui sua graduação ao conseguir a quantidade de créditos pré-determinados para o seu curso, sendo que cada crédito corresponde a 40 horas/aula frequentadas). Havia me inscrito em três matérias, que me dariam 14 créditos no fim do semestre. Porém, o sistema responsável pelo gerenciamento das matrículas - o famoso Jupiterweb, ou Lúcifer para os íntimos - me excluiu de duas. E todas as tentativas oficiais para minha inclusão nelas (retificação, requerimento, recurso) foram infrutíferas, já que esbarrei no limbo do sistema, a entidade que controla a Lei de Murphy, a burrocracia da Universidade de São Paulo.
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O que impede a minha matrícula oficial no Jupiterweb é que, quando os alunos fazem a sua matrícula, o sistema reserva a vaga para este aluno. Após o número de vagas ser preenchido, as incrições excedentes ficam à espera de desistências posteriores. Porém, após as desistências, essas vagas não são preenchidas pelas matrículas excedentes. Assim, corro o risco de não concluir meu bacharelado por conta de um "problema" do Jupiterweb que qualquer programador com o mínimo de competência pode resolver. Só que não há interesse em resolver, já que, na imensidão da universidade, a repartição responsável pelo destino dos alunos está nas mãos de um monstro chamado burocrassauro com síndrome de burrocracia.
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É soda!
3 de agosto de 2009
Meus amigos
Na última sexta-feira, 31/07, reuni no meu apartamento três grandes amigos que há muito tempo não via. Foi um grande reencontro. Desde que me mudei para Pouso Alegre (MG), em 2001, nunca mais falei com nenhum dos meus antigos amigos de colégio. Voltei para São Paulo em 2005, e mesmo morando a poucos metros de cada um deles não nos cruzamos mais.

O Paulinho é meu grande amigo desde que me fiz como pessoa. Estudamos juntos desde o (antigo) pré-primário, em 1992. Ele morava na rua paralela à minha, e sempre frequentamos a casa um do outro. Como sempre teve os videogames da moda, a casa dele sempre foi cheia dos amigos. Mas comigo era uma relação diferente. Sem cobranças, sem ciúmes, era companheirismo mesmo. Ele foi o irmão que eu não tive.
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A Thatiana também estudou comigo desde o pré. E ela foi a minha grande paixão de criança (acho que toda criança tem uma), mas nunca me deu bola. Era engraçado como eu carregava um caminhão de melancias por ela, sofria quando ela me esnobava. Mas passou. No lugar da paixonite veio um grande carinho de irmão, mesmo afastados. Foi com ela que aprendi a respeitar as mulheres como tal, a achar a vida mais bonita, a fazer poemas.
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O Fabinho conheci em 1995, numa idade em que os garotos se afirmam tendo muitos amigos. E sempre estivemos juntos, em grupos de trabalho, em festas. Ele era todo envergonhado como eu, cheio de recato com as meninas. Nos reconhecemos nas peculiaridades, por isso nos aproximamos.
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Há cerca de duas semanas, coloquei algumas fotos em meu orkut com essas pessoas. Comentários, desejos de reencontro, marcamos uma pizza em casa. Dos quatro, três namoram. Nada mais justo que cada um traga o seu. Mas não vieram, fomos só nós quatro. Virão nas próximas vezes.
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Agora cada um tem sua vida. Trabalham (ou não), namoram (ou não), são mais sérios (ou não!). Foi o momento de recordações. Muitas risadas (muitas mesmo), momentos engraçados, lembranças já esquecidas. Também foi o momento de atualizar os mais recentes acontecimentos. O Paulinho está mais sério, mas com o mesmo jeito de falar. A Thati continua linda e com presença de espírito. O Fabinho está trezentas vezes mais doido que nós três juntos.
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Todavia, nos reconhecemos. No fundo somos os mesmos de dez anos atrás, apenas dez anos mais velhos. O passar do tempo apura o vinho. Também apura as amizades. "Eu poderia perder todos os meus amores, mas não suportaria viver sem meus amigos".
30 de julho de 2009
Somos corruptos!
"Político corrupto é o homem normal pego em flagrante". Com essa frase de Joelmir Beting no Jornal Gente da Rádio Bandeirantes comecei esta quarta-feira. E com ela passei meu dia, matutando sobre sua sagacidade.
Homem normal é corrupto? Sim. É a pura verdade.
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Quantas vezes não tomando atitudes aparentemente normais, mas que carregam em si a gênese do homem cediço? É a MINI-CORRUPÇÃO. Quem já não pegou uma bala esquecida na prateleira do supermercado sem pagar? Se a atendente da casa lotérica devolve troco a mais, muitas pessoas iriam embora sem devolver a diferença. Quantas vezes não furamos a fila do banco ou do cinema sem a menor cerimônia? Para muitos, tais atitudes são normais. O que eu temo é a quantidade desse muitos - é risco quando o muitos se transforma em maioria.
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Empregar parentes em cargos no Senado - como apontam as denúncias contra o presidente da casa, José Sarney - é a MACRO-CORRUPÇÃO, a maximização de práticas pseudo-corriqueiras para a maioria das pessoas. Pseudo porque são práticas que não poderiam acontecer, mas que cercam nosso cotidiano. O problema reside em criticar apenas a MACRO, sem levar em consideração a MICRO, considerando tais atos menores como normais, sinal de esperteza frente às outras pessoas. E digo isso por conhecer algumas (muitas!) pessoas que pensam e agem assim.
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Pessoas que agem assim passam tal ideia de mundo para seus filhos, que passam para seus filhos, que passam para os seus, e assim sucessivamente. Por isso reformulo a frase escrita no começo do texto. Homem normal está corrupto. Devemos condenar a normalidade da micro-corrupção, bani-la da sociedade republicana (na qual estamos inseridos - ou deveríamos estar) para que os que vierem depois de nós não vejam esse festival de podridão em que se encontra o Congresso Nacional.

Fonte: Ivan Cabral / Sorriso Pensante
29 de julho de 2009
Reencontramo-nos!
Tenho de reconhecer que nunca mais postei nada no meu antigo blog ( http://acordoacorde.blogspot.com/ ) porque esqueci a senha de acesso ao blogger. Geralmente costumo ter 4 ou 5 senhas na manga para o caso de esquecer alguma, mas dessa vez minha memória não ajudou. Tinha essas informações no meu outro email, porém nunca mais consegui acessá-lo. Assim, foi-se o email, foi-se o blog.
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Apesar da falta de tempo para elaborar textos interessantíssimos para postar aqui (como eu realmente gostaria de fazer), serei mais assíduo nas atualizações. E agradeço antecipadamente os comentários de todos.
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É um prazer revê-los!
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